Vivendo com autismo leve: como gerenciar os sintomas no dia a dia

Dra. Fernanda Tomaz
Dra. Fernanda Tomaz

Psiquiatra infantil CRM 004642/SP

Entendendo o autismo leve

Olá, sou uma médica especialista em autismo e, neste artigo, vou compartilhar com você informações valiosas sobre como é viver com autismo leve e como gerenciar os sintomas dessa condição no dia a dia. O autismo leve é uma forma de Transtorno do Espectro Autista (TEA) caracterizada por sintomas menos intensos, que podem incluir dificuldades na comunicação social, movimentos estereotipados e padrões de comportamento restritivos e repetitivos.

Dificuldades na comunicação social

Uma das características do autismo leve é a dificuldade na comunicação social. Isso pode se manifestar de diversas formas, como ter dificuldade em interpretar as emoções dos outros, ter problemas em iniciar ou manter uma conversa e sentir dificuldade em expressar seus próprios sentimentos e pensamentos. Uma estratégia eficaz para lidar com essas dificuldades é buscar o auxílio de terapia de comunicação, que pode ajudar a desenvolver habilidades sociais e melhorar a comunicação.

Movimentos estereotipados

Pessoas com autismo leve também podem apresentar movimentos estereotipados, como balançar o corpo, bater as mãos ou repetir alguns gestos específicos. Esses comportamentos são considerados estereotipias e podem ser uma maneira de a pessoa lidar com a ansiedade ou buscar estímulo sensorial. Para gerenciar esses sintomas, é importante buscar a orientação de um profissional especializado, que possa ajudar a identificar as causas desses comportamentos e sugerir estratégias para reduzi-los.

Padrões de comportamento restritivos e repetitivos

Os padrões de comportamento restritivos e repetitivos são outra característica comum no autismo leve. Isso pode incluir um apego excessivo a rotinas, interesse restrito em determinados assuntos ou atividades e uma tendência a seguir regras de forma rígida e inflexível. Para gerenciar esses sintomas no dia a dia, é útil estabelecer uma rotina estruturada, que proporcione previsibilidade e segurança. Além disso, é importante incentivar a exploração de novos interesses e atividades, pois isso pode ajudar a ampliar os horizontes e promover a diversidade de experiências.

Como lidar com o autismo leve no dia a dia

Estabelecendo uma rotina

Uma das estratégias mais eficazes para gerenciar os sintomas do autismo leve é estabelecer uma rotina consistente e previsível no dia a dia. Isso geralmente inclui horários fixos para as refeições, atividades e horários de sono. Ter uma rotina estruturada proporciona segurança e previsibilidade, o que pode reduzir a ansiedade e ajudar a pessoa a lidar melhor com as demandas diárias.

Identificando sinais de sobrecarga sensorial

Para algumas pessoas com autismo leve, a sobrecarga sensorial pode ser um desafio. Isso ocorre quando a pessoa se sente avassalada com estímulos sensoriais, como barulhos altos, luzes brilhantes ou cheiros intensos. É importante aprender a identificar os sinais de sobrecarga sensorial, como irritabilidade, ansiedade ou comportamento agitado. Quando esses sinais são reconhecidos, é possível tomar medidas para minimizar a exposição aos estímulos sensoriais ou retirar-se temporariamente da situação, proporcionando um ambiente mais tranquilo e seguro.

Buscar apoio e compreensão da família e amigos

Viver com autismo leve pode ser desafiador em diversos aspectos, mas contar com o apoio e entendimento da família e amigos pode fazer toda a diferença. É importante conversar com as pessoas próximas sobre a condição e compartilhar informações sobre o autismo leve, para que eles possam compreender melhor os desafios e necessidades da pessoa autista. O apoio emocional e prático de pessoas queridas pode auxiliar no gerenciamento dos sintomas e proporcionar suporte nas situações do dia a dia.

Conclusão

Viver com autismo leve pode apresentar desafios, mas também muitas oportunidades. Com o conhecimento adequado, estratégias de gerenciamento de sintomas e o apoio adequado, é possível levar uma vida plena e satisfatória. Lembre-se de que cada pessoa autista é única, e é essencial respeitar suas necessidades individuais e incentivar sua autonomia. Se você busca um guia completo sobre o autismo, recomendo o livro “Caminhos do autismo”, que oferece informações valiosas para compreender e se relacionar melhor com autistas.

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