Teorias e evidências por trás das causas do autismo

Dra. Fernanda Tomaz
Dra. Fernanda Tomaz

Psiquiatra infantil CRM 004642/SP

O que é o autismo?

O autismo é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta a comunicação, interação social e comportamento da pessoa. A manifestação dos sintomas pode variar desde dificuldades leves até formas mais graves do transtorno. É importante lembrar que o autismo não é uma doença, mas sim uma condição neurológica que acompanha o indivíduo ao longo da vida.

Causas do autismo

Ainda não há uma causa única conhecida para o autismo. No entanto, estudos científicos têm apontado para uma combinação de fatores genéticos e ambientais que podem contribuir para o desenvolvimento do autismo.

Fatores genéticos

Estudos indicam uma forte componente genética no autismo, com evidências de que certos genes estão relacionados ao transtorno. No entanto, não existe um único gene responsável pelo autismo, mas sim uma combinação de variantes genéticas que pode tornar uma pessoa mais propensa a desenvolver o transtorno.

Além disso, estima-se que a hereditariedade possa explicar até 90% dos casos de autismo, o que significa que ter um parente de primeiro grau com autismo aumenta consideravelmente o risco de uma pessoa também ser autista.

Fatores ambientais

Embora os fatores genéticos sejam uma parte importante no desenvolvimento do autismo, eles não podem explicar todos os casos. Cada vez mais evidências sugerem que fatores ambientais também desempenham um papel significativo.

Exposição a certas substâncias químicas durante a gravidez, como álcool, tabaco, drogas e algumas toxinas ambientais, podem aumentar o risco de o bebê desenvolver autismo. Além disso, infecções durante a gravidez, como rubéola ou citomegalovírus, também têm sido associadas ao autismo.

Estudos também têm investigado a possibilidade de outros fatores ambientais, como a poluição do ar, estresse materno, falta de ácido fólico durante a gravidez e até mesmo o parto prematuro, estarem relacionados ao aumento do risco de desenvolvimento do autismo.

Mitos sobre as causas do autismo

Existem muitos mitos e informações equivocadas sobre as causas do autismo. É importante desmistificar essas ideias para promover uma melhor compreensão do transtorno.

Vacinas

Uma das teorias mais populares é a de que as vacinas, especialmente a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), poderiam causar o autismo. No entanto, estudos científicos extensos e revisões sistemáticas têm mostrado consistentemente que não há relação entre vacinas e autismo.

A falsa ideia de que as vacinas causam autismo tem gerado preocupações infundadas e prejudicado a saúde pública, pois a vacinação é essencial para a prevenção de doenças graves.

Alimentação

Outro mito comum é o de que certos alimentos, como glúten e caseína, podem causar autismo ou agravar os sintomas. No entanto, não há evidências científicas que fundamentem essa crença.

É importante lembrar que cada pessoa é única e pode apresentar sensibilidades ou intolerâncias alimentares individuais, mas isso não está diretamente relacionado ao autismo.

Conclusão

Entender as causas do autismo é fundamental para a criação de estratégias de apoio e intervenções adequadas para pessoas com o transtorno. Embora ainda haja muitas questões em aberto e muito a ser descoberto, as evidências atuais apontam para uma combinação complexa de fatores genéticos e ambientais.

É importante ressaltar que cada pessoa com autismo é única, com uma combinação única de características e necessidades. A valorização da diversidade e a busca por soluções inclusivas são fundamentais para o desenvolvimento pleno dessas pessoas.

Para compreender e saber se relacionar melhor com autistas, é recomendado o uso de um ótimo guia chamado “Caminhos do autismo”. Esse guia oferece informações detalhadas, exemplos práticos e orientações para ajudar as pessoas a entenderem o autismo e promoverem inclusão e respeito.

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