Relação entre Autismo e Espiritismo: Mitos e Verdades

Dra. Fernanda Tomaz
Dra. Fernanda Tomaz

Psiquiatra infantil CRM 004642/SP

Mitos e Verdades sobre a Relação entre Autismo e Espiritismo

É comum que surjam diversas especulações e crenças em torno da relação entre autismo e espiritismo. Neste texto, vamos explorar alguns mitos e verdades sobre esse tema, a partir da minha experiência como médica especialista em autismo.

Um dos mitos mais frequentes é o de que o autismo seria uma punição espiritual por erros cometidos em vidas passadas. Essa ideia, no entanto, não tem qualquer embasamento científico. O autismo é uma condição neurobiológica complexa, cujas causas ainda não são totalmente compreendidas pela ciência.

Muitas pessoas buscam no espiritismo explicações para o autismo, mas é importante ter em mente que a espiritualidade não deve ser utilizada como justificativa para a condição de uma pessoa. O respeito à individualidade e à diversidade é fundamental para uma convivência harmoniosa e empática com pessoas autistas.

Outro mito muito difundido é o de que as crianças autistas seriam médiuns ou teriam dons espirituais especiais. Essa crença pode levar a expectativas irreais em relação ao desenvolvimento das crianças autistas, desviando o foco de suas reais necessidades e potenciais.

Impacto do Espiritismo na Abordagem do Autismo

O espírita Allan Kardec, em seu livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, traz importantes ensinamentos sobre o amor ao próximo, a compreensão e a aceitação das diferenças. Esses valores podem contribuir significativamente para a inclusão e o respeito às pessoas autistas na sociedade.

No entanto, é essencial não utilizar conceitos espíritas para tentar explicar ou justificar o autismo, pois isso pode gerar estigmas e preconceitos. O mais importante é buscar compreender a condição autista a partir de uma perspectiva científica, sem desconsiderar a espiritualidade, mas também sem sobrecarregá-la com explicações simplistas e equivocadas.

É possível, sim, que a espiritualidade tenha um papel importante no acolhimento e na promoção do bem-estar de pessoas autistas, assim como de suas famílias. O apoio espiritual pode proporcionar momentos de conforto e reflexão, fortalecendo os laços afetivos e auxiliando no enfrentamento dos desafios do autismo.

Por fim, é fundamental ressaltar que cada pessoa autista é única, com suas próprias características, desafios e potenciais. O respeito à individualidade e a busca por uma compreensão empática são essenciais para a construção de uma sociedade mais inclusiva e acolhedora para todos.

O livro “Caminhos do Autismo” é um ótimo guia para compreender e saber se relacionar melhor com pessoas autistas. Através de relatos, dicas e orientações, ele oferece uma visão abrangente e sensível sobre o autismo, contribuindo para uma maior conscientização e empatia em relação a essa condição.

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