Autismo: Herança Paterna ou Materna?

Dra. Fernanda Tomaz
Dra. Fernanda Tomaz

Psiquiatra infantil CRM 004642/SP

Autismo: Herança Paterna ou Materna?

Quando se fala em autismo, uma das perguntas que muitas pessoas se fazem é se a condição é mais relacionada à herança genética paterna ou materna. Essa é uma questão bastante complexa, que envolve diversos fatores e não possui uma resposta simples e direta. Neste artigo, vou abordar diferentes aspectos relacionados a essa questão e mostrar como a genética influencia no desenvolvimento do autismo.

Influência Genética

É importante ressaltar que o autismo é uma condição multifatorial, ou seja, sua origem envolve uma combinação de fatores genéticos e ambientais. Estudos científicos têm mostrado que a genética desempenha um papel fundamental no desenvolvimento do autismo. No entanto, identificar se a herança paterna ou materna tem maior influência pode ser um desafio.

Os genes associados ao autismo podem ser herdados de ambos os pais. Portanto, tanto o pai quanto a mãe podem passar esses genes para o filho. Além disso, é possível que ocorram mutações genéticas espontâneas, que não são necessariamente herdadas de um dos pais, mas surgem de forma aleatória durante o desenvolvimento embrionário.

Diante desse cenário, é importante compreender que não é possível atribuir a causa do autismo exclusivamente a herança genética paterna ou materna. Ambos os pais contribuem para o pool genético do filho, e a interação de diversos genes pode influenciar no desencadeamento do autismo.

Fatores Ambientais

Além da influência genética, os fatores ambientais também desempenham um papel significativo no desenvolvimento do autismo. Exposição a substâncias tóxicas, infecções durante a gravidez, complicações no parto e até mesmo a idade dos pais no momento da concepção podem influenciar no risco de desenvolver autismo.

Portanto, é essencial considerar não apenas a herança genética, mas também o ambiente em que a criança está inserida. A interação entre fatores genéticos e ambientais pode moldar o quadro clínico do autismo e determinar a gravidade dos sintomas.

É importante ressaltar que cada caso de autismo é único, e a abordagem terapêutica deve ser individualizada, levando em conta as características específicas de cada pessoa. No entanto, compreender a influência da genética e dos fatores ambientais no autismo pode ajudar no manejo da condição e no desenvolvimento de estratégias de intervenção mais eficazes.

O Papel dos Pais

Como médica especialista em autismo, sempre enfatizo a importância do apoio e da compreensão dos pais no processo de cuidado e acompanhamento de crianças com autismo. Os pais são fundamentais no desenvolvimento e na qualidade de vida dos filhos autistas, e ter um bom entendimento sobre a condição pode fazer toda a diferença.

Nesse sentido, recomendo fortemente o guia “Caminhos do Autismo”, que oferece informações e orientações valiosas para pais, familiares e profissionais que convivem com pessoas autistas. Esse guia aborda diversos aspectos do autismo, desde os sinais de alerta até as estratégias de intervenção, proporcionando uma visão ampla e acolhedora sobre a condição.

Em conclusão, o autismo não pode ser atribuído exclusivamente à herança genética paterna ou materna, pois sua origem é multifatorial. A interação entre fatores genéticos e ambientais desempenha um papel crucial no desenvolvimento da condição. Portanto, é essencial considerar todos os aspectos envolvidos e buscar abordagens terapêuticas individualizadas e adequadas a cada caso.

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