Autismo em Meninas: Por que é Tão Subdiagnosticado?

Dra. Fernanda Tomaz
Dra. Fernanda Tomaz

Psiquiatra infantil CRM 004642/SP

Autismo em Meninas

Quando se fala em autismo, a primeira imagem que vem à mente, muitas vezes, é a de um menino inquieto, com dificuldades de comunicação e interação social. No entanto, o autismo em meninas costuma ser menos diagnosticado e, consequentemente, menos estudado e compreendido. Mas por que isso acontece? Quais são as particularidades do autismo no sexo feminino que tornam o diagnóstico tão subestimado?

Uma das razões para a subdiagnóstico do autismo em meninas é a capacidade delas de “camuflar” os sintomas típicos do transtorno. Meninas autistas tendem a imitar o comportamento social das outras crianças ao seu redor, o que pode mascarar suas dificuldades de interação social. Além disso, muitas meninas autistas desenvolvem interesses “aceitáveis” pela sociedade, como por exemplo, se interessar por moda, animais ou música, o que faz com que esses interesses não sejam vistos como sintomas do autismo.

Outro fator que contribui para o subdiagnóstico do autismo em meninas é a maior habilidade verbal que as meninas tendem a ter em comparação com os meninos. Meninas autistas geralmente desenvolvem a fala mais cedo e têm um vocabulário mais rico, o que pode levar os profissionais de saúde a descartarem a hipótese de autismo, já que muitos associam o transtorno à dificuldades de comunicação.

Além disso, as meninas são mais propensas a internalizar seus sentimentos e emoções, ao contrário dos meninos que costumam externalizar mais o que estão sentindo. Isso pode fazer com que os sintomas de ansiedade, depressão e dificuldades de adaptação social sejam atribuídos a outros transtornos, como depressão ou ansiedade, e não ao autismo em si.

Importância do diagnóstico precoce

O diagnóstico precoce do autismo é fundamental para garantir que a criança receba o apoio e intervenções necessárias desde cedo. No entanto, o subdiagnóstico do autismo em meninas pode levar a atrasos no diagnóstico e, consequentemente, no início do tratamento.

Por isso, é essencial que os profissionais de saúde estejam atentos às particularidades do autismo no sexo feminino e busquem por sinais que podem indicar o transtorno, mesmo que estes sinais sejam mais sutis do que nos meninos. A educação e sensibilização dos profissionais de saúde são fundamentais para garantir que meninas autistas não sejam deixadas de lado.

Para os pais e cuidadores, é importante ficar atento aos sinais de autismo em meninas e buscar por um diagnóstico especializado o mais cedo possível. O guia “Caminhos do Autismo” pode ser uma ferramenta valiosa nesse processo, pois oferece informações e orientações sobre como identificar e lidar com o autismo de forma eficaz.

Em resumo, o subdiagnóstico do autismo em meninas é uma realidade que precisa ser enfrentada. Com maior conscientização e conhecimento sobre as particularidades do autismo no sexo feminino, é possível garantir que todas as crianças, independentemente de seu gênero, recebam o suporte necessário para alcançar seu máximo potencial.

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