Abordagens terapêuticas para o autismo: o que funciona melhor?

Dra. Fernanda Tomaz
Dra. Fernanda Tomaz

Psiquiatra infantil CRM 004642/SP

Terapia Comportamental

Uma das abordagens terapêuticas mais eficazes para o autismo é a terapia comportamental, mais especificamente a Análise do Comportamento Aplicada (ABA). A ABA é baseada na ideia de que comportamentos podem ser aprendidos e modificados por meio de técnicas e estratégias específicas. Essa abordagem tem como objetivo ajudar os indivíduos autistas a desenvolverem habilidades sociais, comunicativas e adaptativas.

Um exemplo prático de terapia comportamental é o uso de reforço positivo. Imagine uma criança autista que tem dificuldade em fazer contato visual. O terapeuta pode usar o reforço positivo, como elogios ou pequenas recompensas, toda vez que a criança fizer um bom contato visual. Com o tempo, a criança aprende que fazer contato visual é uma ação positiva e passa a fazê-lo com mais frequência.

Terapia de Integração Sensorial

Outra abordagem terapêutica que tem se mostrado eficaz para autistas é a Terapia de Integração Sensorial (TIS). Essa terapia tem como base a ideia de que os indivíduos autistas têm dificuldades em processar e integrar adequadamente as informações sensoriais do ambiente.

Um exemplo prático de terapia de integração sensorial é o uso de atividades que estimulam os sentidos. Por exemplo, uma criança autista pode ser exposta a diferentes texturas, como areia, água ou massinha, para ajudá-la a desenvolver a habilidade de processar e responder a estímulos táteis de forma adequada.

Terapia do Desenvolvimento Floortime

A terapia do desenvolvimento Floortime é outra abordagem terapêutica que tem mostrado resultados positivos no tratamento do autismo. Essa terapia foi desenvolvida pelo psiquiatra Stanley Greenspan e tem como objetivo incentivar a interação social e a comunicação dos autistas por meio de brincadeiras e atividades lúdicas.

Um exemplo prático de terapia do desenvolvimento Floortime é quando o terapeuta se abaixa no chão, na altura da criança, e se engaja em uma brincadeira com ela. Durante essa brincadeira, o terapeuta pode incentivar a criança a expressar suas emoções, a interagir socialmente e a desenvolver habilidades de linguagem.

Terapia Ocupacional

A terapia ocupacional também é uma abordagem terapêutica importante no tratamento do autismo. Essa terapia tem como objetivo ajudar os indivíduos autistas a desenvolver habilidades motoras, de coordenação e de planejamento.

Um exemplo prático de terapia ocupacional é o uso de atividades que estimulam o desenvolvimento motor, como brincadeiras que envolvam equilíbrio, coordenação motora fina e habilidades manipulativas. Essas atividades podem ajudar os autistas a desenvolverem maior independência e autonomia nas atividades do dia a dia.

Terapia de Fala e Linguagem

Por fim, a terapia de fala e linguagem é fundamental para auxiliar os autistas a desenvolverem habilidades de comunicação e linguagem. Essa abordagem terapêutica visa melhorar a expressão verbal, a compreensão de palavras e frases, bem como o desenvolvimento de habilidades pragmáticas.

Um exemplo prático de terapia de fala e linguagem é o uso de jogos e atividades que estimulam a compreensão e o uso de palavras. Por exemplo, o terapeuta pode mostrar uma imagem de um objeto e pedir para a criança dizer o nome dele. Com o tempo, a criança desenvolverá um vocabulário mais amplo e uma melhor compreensão da linguagem.

Em resumo, existem várias abordagens terapêuticas que podem ser eficazes no tratamento do autismo, como a terapia comportamental, a terapia de integração sensorial, a terapia do desenvolvimento Floortime, a terapia ocupacional e a terapia de fala e linguagem. Cada indivíduo é único e pode responder de maneira diferente a cada uma dessas abordagens. Portanto, é importante que os profissionais de saúde, os pais e os cuidadores trabalhem em conjunto para identificar qual abordagem terapêutica é a mais adequada para cada pessoa com autismo.

Para uma compreensão mais aprofundada sobre o autismo e a importância das diferentes abordagens terapêuticas, recomendo o livro “Caminhos do Autismo”, um guia completo que traz informações atualizadas e práticas para compreender e se relacionar melhor com autistas.

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